Os avanços tecnológicos e as profissões que foram extintas (ou tendem a ficar!)

Esse post irá falar um pouco sobre os impactos da tecnologia no mercado de trabalho, sob um humilde ponto de vista, sem querer gerar regras, padrões, ou opiniões conclusivas. Afinal, em tempos de internet, opinião se tem de sobra, até demais!

Esse blog fala bastante sobre coisas do cotidiano, e acredito que uma parte significativa de pessoas tem seu dia-a-dia voltados para trabalho, casa, curso, etc. Nós aqui não somos muito diferentes. Temos profissões peculiares e uma rotina relativamente comum. Talvez por isso falamos tanto sobre os temas que envolvem o nosso redor. Hoje, vou falar um pouco das profissões que conheço e/ou tenho mais intimidade, e o quanto as tecnologias as impactam.

Uma das definições, dentre as milhares, que se pode assumir para “tecnologia”, é algo capaz de realizar tarefas de forma mais fácil, rápida e objetiva. Simples assim. Essa entrada de produtos e serviços dotados de tecnologia mudam o cotidiano e o mercado de trabalho de modo muito significativo. Ao mesmo tempo em que através dessas ferramentas modernas fazemos certas coisas bem mais rapidamente (veja o post “Olhando para trás“), mais demanda de atividades e em curto prazo para execução nos aparecem. É a sensação de “sem tempo para nada”. Como explicar essa sensação estranha de que hoje não dá tempo de mais nada, os dias passam voando…? Eu apostaria nas tecnologias de informação e comunicação como também responsáveis por esse feeling.

Ao entrarmos no mérito das profissões que foram extintas e substituídas por máquinas, pois lógico que elas fazem mais rápido e melhor, nos perguntamos para onde foi toda essa mão-de-obra. Será que se voltaram para atender demandas onde há poucos profissionais? Deve ser muito estranho ver algo que você fez boa parte da vida sendo substituído, mas, isso agora faz parte da nossa História (com H maiúsculo mesmo). Ainda hoje existem sindicatos que seguram “as pontas” com todas as forças pra não permitir a substituição do homem pela tecnologia. Lembre-se do caso dos atendentes em postos de gasolina.

Em tempos de Big Data, a minha profissão (sou formada em Biblioteconomia) está ficando um pouco para trás. Em nível Brasil então…! Volta-se a discussão da substituição do livro em papel pelo livro eletrônico, e mais importante ainda, a possibilidade de inexistência do serviço de biblioteca tal como conhecemos hoje! Eu não tenho nenhum medo disso, pois sei que minha formação proporciona novos caminhos de atuação. Na minha opinião, as bibliotecas tal como conhecemos, e que possivelmente continuarão a existir serão as escolares e públicas, devido a importância da literatura e da leitura na formação das crianças e jovens, e da necessidade que sentiremos para sempre de ler um bom livro (sem entrar no mérito do formato). Além disso, serviços de acesso à internet e outras mídias (por favor vamos acabar com essa coisa de biblioteca ser praticamente 80% livro), ambientes de interação, desenvolvimento de bibliotecas digitais e empréstimos neste formato ainda deverão ser necessários! Imagine um ambiente altamente tecnológico que você não teria em casa, mas encontra na próxima esquina? Até porque é uma obrigação o acesso prático e livre à leitura e à informação, isso jamais será extinto. As bibliotecas especializadas serão substituídas por banco de dados e sistemas especialistas, pois muita informação relevante está disponível nestes ambientes, e geralmente este tipo de demanda se encontra dentro das empresas. É claro que as organizações já estão voltadas para estas práticas (que hoje chamamos de Big Data, ou KDD, ou BI, etc.) e não precisaram dar um nome “biblioteca” para isto e nem de um profissional do meu ramo. A necessidade de informação corre nas veias de cada funcionário, e é por isso também que se fala em gestão do conhecimento. Aí eu pergunto porque raios o profissional bibliotecário ficou para trás diante do desenvolvimento dessas tecnologias? Sinceramente, as universidades demoraram demais para voltarem seus currículos para essas mudanças, e muitas outras profissões já “morderam” a maior parte desse nicho, tal como TI, Comunicação, Design, Administração, etc. Claro que pra lidar com bases de dados, sistemas e afins existe um profissional mais adequado, mas poderia ser ainda melhor com um olhar de alguém que sempre defendeu os interesses do cliente em nível de necessidade de informação e facílimo acesso a ela, além da importância da organização do conhecimento.

Pensem na seguinte reflexão: se catalogação, tal como se faz hoje, fosse realmente muito bom, o Google manteria o padrão. Sim, íamos continuar fazendo pesquisa naqueles campos ridículos no qual selecionamos o tipo de informação que queremos (É autor? É título?), e estamos carecas de saber que o usuário se enrola com isso. Em geral, antes eu cheguei a pensar que minha profissão poderia estar um pouco desesperada para agarrar um nicho de mercado para não morrer, até perceber que ela tem a habilidade para intervir em muita prática (a interdisciplinaridade cada vez mais necessária e reconhecida!), ajudando a fazer coisas de maneira melhor. E só não está atuando em massa nesse nicho pois a formação na graduação não dá conta, e nem o mercado percebe isso! É um exemplão da tecnologia mudando a forma de fazer as coisas. Tá na hora de parar de só catalogar tradicionalmente e começar a trabalhar com dados, sistemas, UX, se desprender um pouco dos livros, pensar fora da caixa. 😉

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Esta é uma imagem que os profissionais de Ciência da Informação admiram compartilhar… e, ok, acho muito legal, é um pouco por aí. O que eu vejo como um “problema” é o fato de baterem tanto no peito com orgulho por ser um profissional “pré-Google”, que ainda se deitam no passado, e continuam utilizando metodologias do passado! Porque não avançamos com as tecnologias e não somos tão vistos como um profissional “with Google”?

E você, quer contar como as tecnologias impactam sua profissão? Ou o impacto de uma tecnologia substituindo outra? 😀

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