O macaco, a banana, e o que você tem a ver com tudo isso

Leitor, coloque-se como um profissional, no contexto do seu trabalho. Pode não ser o atual. Depois disso, leia esta pequena  história, um conto conhecido:

“O macaco que perdeu a banana”

O macaco estava comendo uma banana num galho de pau quando a fruta lhe escorregou da mão e caiu num oco de árvore. O macaco desceu e pediu que o pau lhe desse a banana.

— Pau me dá minha banana!

O pé de pau nem-como-cousa. O macaco foi ter com o ferreiro e pediu que viesse com o machado cortar o pau.

— Ferreiro, traga o machado para cortar o pau que ficou com a banana!

O ferreiro nem se importou. O macaco procurou o soldado a quem pediu que prendesse o ferreiro. O soldado não quis. O macaco foi ao rei para mandar o soldado prender o ferreiro para este ir com o machado cortar o pau que tinha a banana. O rei não prestou atenção. O macaco apelou para a rainha. A rainha não o ouviu. O macaco foi ao rato para roer a roupa da rainha. O rato recusou. O macaco recorreu ao gato para comer o gato. O gato nem ligou. O macaco foi ao cachorro para morder o ga
to. O cachorro recusou. O macaco procurou a onça para comer o cachorro. A onça não esteve pelos autos. O macaco foi ao caçador para matar a onça. O caçador se negou. O macaco foi até a morte.

A morte ficou com pena do macaco e ameaçou o caçador, este procurou a onça, que perseguiu o cachorro, que seguiu o gato, que correu o rato, que quis roer a roupa da rainha, que mandou o rei, que ordenou ao soldado que quis prender o ferreiro, que cortou com o machado o pau, de onde o macaco tirou a banana e comeu.                                                                                                                                                                          

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Agora eu lhe pergunto: quem nunca aí, em seu ambiente de trabalho, foi/ou é o macaco da história? Não entendeu como você seria o macaco ? Então lhe pergunto: quantas vezes você sugeriu algo no trabalho, criou um projeto, ou uma ideia,  que passou na mão de  muita gente que não deu a mínima importância? E que só pelo fato de sua iniciativa precisar existir, por menor que seja, foi necessário tanta gente envolvida?

Muitos talvez se identifiquem. Outros sequer entendam o que eu estou falando – até porque posso estar me expressando muito mal hahaha.  Os que entenderam a profundidade dessa colocação e sofreram calados, por favor, se manifestem nos comentários, pode ser anônimo, mas conte o seu caso.

Porque eu digo isso? Lembrei do post do Marcos, o Embate de Gerações, que faz a comparação entre as gerações X e Y e as implicações disso no mercado de trabalho atual. Lembrei também das burocracias que enfrentamos diariamente, dos projetos mal acabados, dos processos malucos, e muito mais. Quem já se sentiu o macaco da história sabe bem como é viver em um ambiente empresarial que não favorece a criação, imaginação, autonomia e, quem sabe, inovação. “Ah Mariana, isso é coisa da sua geração, metida a besta, que não respeita hierarquia, não tem noção de nada”, blábláblá. Se é isso o que você pensa, responda pra mim se você vive satisfeito se sentindo um macaco esperando a aprovação de um pedido no sistema, a autorização do chefe pro gerente, do gerente pro diretor, do diretor para Mãe Dináh. Enquanto que, na verdade, você só pediu autorização para colocar uma planta na sua mesa. Ou melhor: você colocou sua opinião em um projeto e ninguém deu a mínima.

É lógico que nem tudo o que queremos, sonhamos e almejamos será obrigatoriamente adquirido no trabalho (leia esta entrevista com o Mario Sergio Cortella aqui). Vivemos em um ambiente cheio de pessoas, opiniões, desejos e objetivos, e o mais difícil é a conciliação dos interesses. Não adianta chorar, bater, quebrar quando sua ideia não vai “ao ar”. Ela pode mesmo não ser muito boa, então seja humilde. A frustração de verdade vem quando quase nunca você é notado, ouvido, relevado.

Isso pode, provavelmente, ser um problema de contextualização, Você pode estar no contexto errado, da empresa errada, com as pessoas erradas. Talvez o seu negócio e habilidade seja preparar pratos incríveis, vender bolsas em um shopping, fazer artesanato, ser líder de uma startup. A verdade é que demoramos muito tempo em nossas vidas para termos quase certeza daquilo que realmente gostamos de fazer. Eu estou no comecinho da minha vida ainda, e não sei direito se fiz as escolhas profissionais certas. Somos cobrados muito cedo sobre a decisão do “o que você quer ser quando crescer”. Não nos dão tempo para pensar! Desde criança já tiram a nossa liberdade de fazer qualquer coisa inútil. Sim, inútil! Porque hoje em dia a criança não joga xadrez porque acha “legal”; ela joga xadrez porque estimula o raciocínio e a estruturação de um pensamento lógico. Limitam que ela jogue video game, pois isto é inútil… não estimula habilidade nenhuma, afinal, o que você ganha apertando botões? Um dedo malhado e uns quilos a mais, é o que dizem. As limitações do nosso dia-a-dia, muitas vezes, não são percebidas facilmente, você quase nunca tem a possibilidade de dizer “ainda não sei” como resposta.
Não quero encontrar a morte para comer a minha banana. Ninguém quer! Mas quantas pessoas morrem de vontade de comê-la, o quanto antes, o mais cedo possível. E morrem.

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