Deixem as crianças lerem mais ficção científica!

Este é um post colaborativo, escrito por ambos os autores deste blog, Mariana e Marcos! 😉

[Mariana] Dia desses, vasculhando o site do Skoob, me deparei com a seguinte informação: o livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”, do renomado autor brasileiro Machado de Assis, possui 2464 abandonos, e 65.423 leituras concluídas. Isso mesmo, mais de duas mil pessoas desistiram de ler este clássico da literatura. Já o famoso “A culpa é das estrelas”, do autor John Green, tem somente 592 abandonos, diante de 115.039 leituras concluídas (dados de meados de Junho de 2014). A relação leituras concluídas x abandono nos exemplos citados acima é bastante discrepante, ainda mais se considerarmos o tempo de publicação e circulação destes materiais. Porém, não quero entrar no mérito de qual livro é melhor ou pior, qual é literatura e qual não é, justificar porque são leituras diferentes, nem nada disso. Estamos hoje aqui para refletir por que as crianças e jovens não gostam tanto assim de ler os considerados “clássicos da literatura”, e que alternativas em gêneros elas tem para que  sejam bons leitores e disto tirem bom proveito.

Os números no Skoob comprovam que os livros mais populares não são o os clássicos da literatura nacional e internacional. Dos 30 primeiros livros mais populares, encontramos apenas três autores “clássicos” como Antoine de Saint Exupéry (com a obra “O pequeno príncipe”), Machado de Assis (com a obra “Dom Casmurro”) e Aluísio de Azevedo (com a obra “O cortiço”). Avaliando as resenhas destas obras, a relação “amo x odeio”, segundo os leitores, é consideravelmente notável. Os livros mais populares da rede são de autores atuais como J.K. Rowling, Nicholas Sparks, Stephenie Meyer, Rick Riordan, etc.

Parte dos usuários desta rede são jovens e adultos. Mais parte ainda são jovens leitores de best-sellers. Através de uma análise bem breve do site, apesar de muito superficial,  já é possível notar que os livros considerados “clássicos” estão perdendo cada vez mais espaço no gosto dos leitores. Os amantes da literatura, professores, pedagogos, acadêmicos e aspirantes devem ficar se remoendo em ódio quando observam os dados que as redes como o Skoob apresentam. “Que vergonha, perderam o gosto pela literatura”…

Nas escolas, as crianças deveriam estar lendo de tudo. Em âmbito Brasil, sabemos que os estudantes são péssimos leitores (no sentido de não lerem nada mesmo). As poucas escolas que estimulam a formação de leitores escolhem, em sua maioria, os clássicos da literatura para instigar o gosto em seus alunos. Sabemos que isto as vezes acaba revertento no caminho oposto: crianças e jovens tomam aversão pela leitura. A questão é: é preciso necessariamente ler literatura clássica para formar leitores? Ranganathan já dizia que cada leitor tem seu livro e vice versa. Na minha concepção, isto implica em liberdade de escolha. E dando liberdade de escolha às crianças e jovens, é claro que eles vão preferir os best-sellers, os livros mais finos com letras maiores, gêneros literários diferentes. Quem já trabalhou em escola, como eu, Mariana, sabe que esse público clama por histórias de terror, gibis, super-heróis e ficção científica.

Pronto, finalmente cheguei ao ponto que realmente queria: ler ficção científica. Hoje quero simplesmente entrar no mérito deste gênero, que é muito amado pelos jovens e muito reprimido pelos educadores.

[Marcos] Estreiando o post colaborativo! Sempre pensando na questão da leitura, eu lembro muito claramente da minha época no colégio, onde nós eramos obrigados a sempre ler alguma coisa. Mas nossas opções sempre eram as mesmas: livros de literatura brasileira clássica. Isso foi um comportamento que se repetiu até o fim do meu segundo grau, pois sempre havia um livro para ler que iria cair no vestibular, ou que era colocado como leitura obrigatória. Gostaria de deixar claro desde já que não tenho nada contra nenhum tipo de literatura, mas vou explicar o porque fiquei com antipatia da nossa literatura.

Nunca havia me considerado uma pessoa que demonstrava um grande prazer na leitura. Sempre que na escola tínhamos que ler algo, eu sentia aquilo como um tarefa massante e nem um pouco prazerosa. Com o tempo eu comecei a associar a leitura como algo a ser evitado, algo que eu não conseguia enxergar nada de bom em fazer. Isso tudo pode parecer muito trágico e até mesmo fatalista, mas posso afirmar, pegando a deixa da Mariana, é que eu simplesmente não conseguia gostar do que eu estava lendo. Por culpa disso eu perdi muito tempo sem esse hábito.

Pulamos para os dias de hoje. Cheguei a conclusão que eu sempre tive um forte hábito de leitura. Eu apenas não havia realizado.  Usando a internet o tempo todo, basicamente eu passava o meu tempo todo lendo. Podia não ser literatura, mas sempre eram textos que para bom ou para mal treinavam meu hábito de leitura. Trazendo assim o meu primeiro ponto, para sustentar a ideia da Mariana, onde eu entendo que antes de qualquer coisa, ler é a ação que realmente importa.

Sempre tive também um naco por ficção cientifica, o que quem compartilha desse gosto sabe que sempre queremos mais e conseguimos muito pouco. Um belo dia, navegando em um sebo (note que apesar de não tem o hábito de ler, eu sempre me pegava entrando em livrarias para buscar livros que não sabia quais eram, para um gosto que ainda não havia entendido que existia) me deparo com um livro do Jornada Nas Estrelas. Ele estava bem velho, bastante surrado e ainda era em inglês, mas pude sentir naquele momento que havia finalmente encontrado algo que me despertava um tremendo interesse em simplesmente ficar sentado com o livro no meu colo lendo.

Havia finalmente descoberto o meu santo graal, a literatura que faltava na minha vida todo esse tempo. Hoje, eu consegui descobrir que esses livros existem sim, mas ainda muito difícil de encontrar no Brasil (gracas ao Kindle e a nuvem, estou sempre muito bem servido). Livros clássicos, como Macunaima ou Memórias Póstumas de Brás Cubas e afins, nunca conseguiram elicitar em mim uma resposta positiva, ou que seja um minimo interesse. Não falo por falta de respeito, apenas como um pessoa que saiu do armário literário e assumiu abertamente que não gosta desta literatura e tem paixão por ficção. Paixão por idéias mirabolantes, universos imaginários, planetas exóticos, civilizações e tudo mais que possa ser imaginado.

O mundo da ficção cientifica é tão incrivelmente amplo, e tão incrivelmente fantástico que me impressiona muito que quando estamos sendo educados nos apresentam ao Macunaima mas nem se tocam na existência de livros fantásticos como “Encontro com Rama” ou “Eu, Robô”. A mente de uma criança, ou de qualquer pessoa se este for o caso, deve ser exposta a livros como estes, que apresentam ideias e temas incríveis e que no fundo ainda carregam com si mesmo profundo cunho filosóficos sobre a condição humana.

Nós ousamos sonhar sobre o impossível, apenas para que possamos melhor entender a nós mesmos. Minar pessoas de ter esse contato, na minha visão é um crime.

[Mariana]  Por fim, fica o questionamento: porque não tivemos contato na escola com literaturas alternativas? Eu acho importante apresentar a qualquer aluno todos os tipos de livros e gêneros que existem, e que o próprio explore o que lhe achar conveniente. Passar anos na escola lendo “clássicos” muitas vezes apavora e afasta leitores, ao invés de formá-los, ao mesmo tempo em que muitos podem simplesmente amar! Não está mais do que na hora de romper determinados paradigmas de leitura? Ler é prazer, descoberta, questionamento, emoção… independente do gênero.

O que desperta o nosso interesse, autores do blog, pela ficção científica, é um carinho e admiração extremamente particular, mas em primeiro lugar, a liberdade de escolha prevalece. Usamos esta literatura como exemplo pois, em tempos de tecnologia e inovação, ficção científica desperta a imaginação e a criação como nenhum outro gênero! Ela lida com visões futuritas, ciência, física, matemática, tecnologias avançadas, enfim, um mundo de ideias! E quantas ideias que vimos em filmes e livros deste gênero não estão presentes no cotidiano nosso de cada dia? Tablets, talvez?

newspad1-300x169

2001: uma odisséia no espaço, por Arthur Clarke (escrito em 1968!); filme de Stanley Kubrick. Esse é o newspad, parente do tablet que usamos hoje. 

 tabletsTrek

Nada supera este! Hahahaha!

Enfim, a mensagem que gostaríamos de deixar está relacionada à liberdade de escolha literária, ou seja, a aceitação de literaturas capazes de transformar. Acreditamos no poder da ficção científica para a imaginação e inovação tecnológica. Este é o nosso futuro, precisamos despertar novas e ousadas ideias na cabeça de nossos jovens e crianças!

———————————

2 links interessantes relacionados ao tema:

10 invenções que a ficção científica inventou | Super interessante: http://goo.gl/97rLOq 

Ciência real na ficção científica | Ig: http://goo.gl/ki5bIh

 

 

Advertisements