Catálogos online de bibliotecas: você está fazendo isso errado

Praticamente dando continuidade ao meu último post, o “As dificuldades em encarar as bibliotecas como um serviço”, que você pode ler aqui, vou falar de algo que pra mim é igual pernilongo enquanto você dorme: catálogos online de bibliotecas.

A grande maioria das bibliotecas, no Brasil e no mundo, já automatizaram (ou estão em processo) seus acervos e serviços, melhorando a vida de todo mundo. Porém, falta muito pra ficar ideal. Antes, o usuário que queria descobrir se tinha determinado livro na biblioteca, precisava vasculhar as fichas do catálogo, esta maravilha museológica:

  E pensar que ainda vejo isso por aí, afffff! 
(Créditos: Site da PUC-RS)

Hoje raramente (será?) encontramos bibliotecas que fazem uso das fichas catalográficas. Praticamente as técnicas e métodos se “transferiram” para o meio digital, e com isto veio o MARC21, o RDF, o Dublin Core, o baile todo. Hoje, todo o catálogo está disponível na web. Consequentemente, estes OPAC’s (Online Public Access Catalog) se adaptaram para uma mistura de barra de busca do Google, expressões booleanas e representações descritivas.

Vou falar de interface. Nós, navegadores marinheiros da web, estamos completamente dependentes do Google para fazermos pesquisas. Perguntamos de tudo para ele. Quando abrimos sua página, basicamente visualizamos a logo da empresa e a barra de busca. E só. Uma interface extremamente limpa e objetiva. Já estamos acostumados e condicionados a este tipo de pesquisa, e quando precisamos utilizar um site ou catálogo diferente, geralmente vem a decepção (obs.: lembre que estou falando de interface e não dos resultados ou eficiência da busca). É tanto campo para preencher, detalhes para dar, informações ao redor da barra, que as vezes o resultado desejado não vem. Geralmente os usuários da biblioteca se manifestam das seguintes formas quando estão diante do catálogo online:

JesusMariaeJosé eu tenho que preencher todos os campos?
– Não lembro o título da obra direito!
– E? Ou? E não? Igual a?

 Temos muito o que aprender com o Google. Para estes tipos de dificuldades, ele já resolveu tudo. Vamos invetar uma espécie de diálogo para exemplificar:

Usuário perdido: JesusMariaeJosé eu tenho que preencher todos os campos?
Google: Você só tem uma barra e mais nada, jogue no vento.

Usuário perdido: Não lembro o título da obra direito!
Google: Vá escrevendo o que você lembra que o resto eu sugiro.

 Usuário perdido: E? Ou? E não? Igual a?
Google: Esquece essa p****

 Hahahahaha! Mas não é verdade?! E por que as bibliotecas e os seus respectivos softwares de automação ainda não pensaram nisso?!  A resposta poderia ser que, as bibliotecas ainda trabalham inspiradas no antigo modelo das fichas catalográficas. Da mesma forma que as velhas gavetinhas lhe sugeriam pesquisar por autor, título ou assunto, as OPAC’s continuam fazendo isso. Veja só:

 E posso dizer que já melhorou muuuuito! A maioria hoje já oferece, logo na página inicial do catálogo, uma barra só, sem muitas opções de campos, aprenderam com o Google. Vejam:
 É inevitável essa comparação entre o estilo de busca do Google com os catálogos online. Estamos condicionados a esta intuição, este comportamento de busca, a este modelo. Atualmente, pesquisadores já apontam tendências para o denominado “Catálogo 2.0” ou “OPAC 2.0”, ou seja, a tentativa de melhorar e dinamizar os catálogos de biblioteca. Retomando a ideia de biblioteca como um serviço, não podemos ignorar o catálogo como um ótimo recurso para os nossos usuários, sendo inclusive um atrativo para que o mesmo continue utilizando a biblioteca. Pense: se os nossos catálogos permitissem que o usuário personalizasse sua página no catálogo sob o formato de um perfil; ou possibilitasse o login através de suas contas nas redes sociais; ou  compartilhar determinadas informações e/ou resultados de busca nas redes sociais; ou se deixasse avaliar um livro/material através de pontuação/estrelas/etc.; ou permitisse postar resenhas; ou autorizasse incluir hashtags; ou pudesse iniciar fóruns/debates com os amigos dentro do próprio catálogo… São possibilidades infinitas! Tem muito site por aí que já faz algo semelhante a isso, dando um banho nos catálogos! Alguns dos casos mais conhecidos são o Skoob e o Goodreads.

Li uma vez no site do Alex da Silveira, o Bibliotecno, o seguinte: “a biblioteca deve estar onde o usuário está”. E por onde andam nossos leitores? Nos smartphones! E é pra lá que temos que ir também! Não apenas por modismo, muito pelo contrário, pela necessidade de alcançar os usuários, para fins de marketing  (why not?), para oferecer uma alternativa. Eu já vi por aí alguns catálogos criando uma interface personalizada na própria web para sua visualização nos dispositivos móveis. Mas aplicativo em si, no Brasil, eu ainda não vi. Está mais do que na hora de acompanhar a tecnologia e desenvolver logo um app.

 Minha aposta para 2014 é ver isto acontecer. Torço mesmo por catálogos mais colaborativos e mais portáteis.

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