Resistindo a Tecnologia II

Voltando a minha linha de pensamento do ultimo post.

Parece que quando meu avô ficou sabendo desse texto, ele não gostou muito. Interessante que apesar de terem falado para ele do texto, ele ter ouvido um resumo do texto de outras pessoas, em nenhum momento ele fez menção em querer tentar acessar o blag para poder ler.

Ao mesmo tempo, outro fato interessante aconteceu essa semana, ele falou comigo que tentou acessar o google, mas não conseguiu. Quando perguntei o porque disse, ele me disse que tinha aparece algum tipo de mensagem dizendo que não podia ser exibido. Isso é facil pra mim de perceber que foi alguma falha momentanea, coisas que de vez em quando acontecem, e as vezes, nos estamos tão acostumados com isso que nem reparamos nisso. Se eu estou navegando em uma pagina e diz que ela nao pode ser exibida, a primeira reação é mandar atualizar a pagina. Isso sou eu. Nesse caso não se enquadra só o meu avô, mas uma enorme parcela das pessoas. Um computador é uma ótima ferramenta, mas ele não é de forma nenhuma trivial de se usar. Vamos tomar como exemplo o computador do meu avó, um note razoavelmente novo, que nunca teve nada alem do que ele usa instalado nele. Não é de se esperar que ocorram erros ou problemas no uso dessa maquina, mas como computação passa longe de ser uma ciencia exata, sempre acontece alguma coisa. Vamos entao ver como a mente das pessoas normalmente está acertada quando usam um computador. Meu avô, liga o computador, espera entrar no OS (Sistema operacioal) e então procura o atalho do word na tela, clica nele e entra. Nesse ponto está o primero exemplo, ele sabe que se ele clicar duas vezes naquele icone, o word abre. Se algo acontecer (sabe como são computadores) e o icone sumir de lá, ele simplesmente não vai saber o que fazer. Ele nao tem a ideia de que aquilo é um programa instalado em um sistema operacional, e que aquele icone nada mais é que uma facilidade para acessar o programa, e ainda, que existem várias outras formas de se acessar o programa.

Isso apesar de parece uma coisa trivial, não é. Eu nao lembro quando eu começei a entender como funcionava um computador, como é um estrutura de pastas, e onde as coisas ficam. Lembro que tinha uma épca na qual para jogar um jogo de um cd eu não sabia o conceito de instalação. Pra mim o jogo era o cd no computador, clicar em algum lugar e jogar. Então, de certa forma fui como ele um dia. Mas se eu nunca tive aulas sobre isso (tirando na faculdade), como que eu aprendi isso tudo. A medida que eu escrevo o texto, eu chego a conclusão de que a melhor maneira de enter como me avó ve o computador, e pensar como posso fazer ele “aprender a usar a ferramenta” é olhar para traz, na minha vida e ver como que eu lidei com isso. O problema é, eu não tive nenhum momento de epifania, no qual e aprendia alguma coisa, era na verdade um conjunto de vários e inumeros momentos em que por tentativa e erro eu descobri uma coisa nova.

Quer dizer que eu aprendi muito do que eu sei hoje, pode tentativa e erro. Sim, realmente, e coloque erro nisso, na época do DOS eu formatei ao menos 2 computadores por que eu vi alguem escrevendo format C:/, e eu gravei aquilo e queria repetir, depois de várias broncas, entendi o que era aquilo. Apesar das brocas que levei, nunca me intimidei, sempre mexi, nunca me deixei levar pelo medo de que eu podia fazer algo errado. Sempre assim, explorando, e vendo o resultado de minhas ações.

Então, se eu consegui, porque meu avô até agora não? Não é pela curiosidade nata de uma criança, pois hoje com quase 21 anoss sou ainda mais curiosos que antes. Então só me resta uma ideia, eu nunca tive medo, nem aprensão de mexer em cosias novas, manual pra mim é só algo que folheava nas horas vagas. (Depois tenho que falar como ler manuais, em geral torna mais dificil o uso de alguma coisa). O que eu vejo no meu avô, é algo que deve vir de sua educação na infancia, ele não tem essa desenvoltura, ele não quer mexer em alguma coisa porque ele não sabe o que aquilo faz. Ele não quer clicar em um icone, ou apertar um botão pelo mero prazer de ver o que acontece. Isso, até onde eu consigo pensar, é o grande fator limitador nesse caso. Como uma pessoa vai explorar as inumeras funcionalidades de algo novo, se:

  1. Ele vem de uma educação na qual sempre foi dito que não se deve mexer no que não se conhece.
  2. Para o pouco que ele usa, ele produz dados valiosos, que não podem ser perdidos, então é mais um medo para usar.
  3. É constantemente bombardiado com noticias e comentarios negativos. Alguem fala que travou e perdeu tudo, alguem fala que pegou um virus e roubou as senhas do banco.

Então realmente, pensando desse angulo, é possivel entender toda essa dificuldade. Mas agora vem a grande questão, se conformar que é assim não é uma opção, então como fazer para mudar isso?

Ideias?

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